MANIFESTO CONTRA ANISTIA AOS TORTURADORES!!!

para assinar:
http://www.ajd.org.br/contraanistia_port.php



Hoje é dia da Justiça e do lançamento da Campanha Contra a Anistia aos Torturadores.
Os crimes praticados durante a ditadura são crimes contra a humanidade e nesta medida não podem ser anistiados.

Projeto Itaquá

Entre no Link abaixo e confira o projeto do MCM para a cidade de Itaquaquecetuba.

Informações, fotos e vídeos.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

PAULO FREIRE: A LEITURA DO MUNDO.

Frei Betto


“Pedro viu a uva”, ensinavam os manuais de alfabetização. Mas o professor Paulo Freire, com o seu método de alfabetizar conscientizando, fez adultos e crianças no Brasil e na Guiné-Bissau, na Índia e na Nicarágua, descobrirem que Pedro não viu apenas com os olhos. Viu também com a mente e se perguntou se uva é natureza ou cultura.


Pedro viu que a fruta não é resultado do trabalho humano. É criação. É natureza. Paulo Freire ensinou a Pedro que semear a uva é ação humana e sobre a natureza. É a mão, multiferramenta, despertando as potencialidades do fruto. Assim como o próprio ser humano foi semeado pela natureza em anos e anos de evolução do Cosmo.


Colher a uva, esmagá-la e transformá-la em vinho é cultura, assinalou Paulo Freire. O trabalho humaniza a natureza e, ao realizá-lo, o homem e a mulher se humanizam. Trabalho que instaura o nó de relações, a vida social. Graças ao professor, que iniciou a pedagogia revolucionária com os operários do SESI de Pernambuco, Pedro viu também que a uva é colhida por bóias-frias, que ganham pouco, e comercializam por atravessadores, que ganham melhor.


Pedro aprendeu com Paulo que, mesmo sem ainda saber ler, ele não é uma pessoa ignorante. Antes de aprender letras, Pedro sabia erguer uma casa, tijolo a tijolo. O médico o advogado ou o dentista, com todo seu estudo, não era capaz de construir como Pedro. Paulo Freire ensinou a Pedro que não existe ninguém mais culto do que o outro, existem culturas paralelas, distintas, que se complementavam na vida social.


Pedro viu a uva e Paulo, mostrou-lhe os cachos, a parreira, a plantação inteira. Ensinou a Pedro que a leitura de um texto é tanto melhor compreendida quanto mais se insere o texto no contexto do autor e do leitor. É dessa relação dialógica entre texto e contexto que Pedro extrai o pretexto para agir. No inicio e no fim do aprendizado é a práxis de Pedro que importa. Práxis – Teoria – Práxis, num processo indutivo que torna o educando sujeito histórico.


Pedro viu a uva e não viu a ave que, de cima, enxerga a parreira e não vê a uva. O que Pedro vê é diferente do que vê a ave. Assim, Paulo Freire ensinou a Pedro um princípio fundamental da epistemologia: a cabeça pensa onde os pés pisam. O mundo desigual pode ser lido pela ótica do opressor ou pela ótica do oprimido. Resulta uma leitura tão diferente uma da outra como entre a visão de Ptolomeu, ao observar o sistema solar com os pés na Terra, e a de Copérnico, ao imaginar-se com os pés no Sol.


Agora Pedro vê a uva, a parreira, e todas as relações que fazem do fruto festa no cálice de vinho, mas já não vê Paulo Freire, que mergulhou no Amor na manhã de 2 de maio. Deixa-nos uma obra inesquecível e um testemunho admirável de competência e coerência.


Paulo deveria estar em Cuba, onde receberia o título de Doutor Honoris Causa, da Universidade de Havana. Ao sentir dolorido seu coração que tanto amou, pediu que eu fosse representá-lo. De passagem marcada para Israel, não me foi possível atendê-lo. Contudo, antes de embarcar fui rezar com Nita, sua mulher, e os filhos, em torno de seu semblante tranqüilo: Paulo via Deus.


São Paulo, 03 de maio de 1997



Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Paulo Freire de Essa escola chamada vida (Atica).

Igreja Provisória

Grizante

Meu pai tem quase oitenta anos. Quando era criança, ouvia minha mãe reclamar de como ele fazia as coisas provisórias permanecerem ‘quase’ para sempre. Coisas simples que iam desde a torneira desproporcional e com problemas, até o chinelo que arrebentava a correia e ele insistia em deixar guardado provisoriamente até achar semelhante correia e fazer a troca. A torneira foi trocada anos depois, e o chinelo esquecido com pesar quando chegou um novo em forma de presente no seu lugar.


A partir de situações provisórias, deveríamos estar prontos para assumirmos outras posturas de vida. Não nascemos andando nem tampouco falando. Logo, provisoriamente, cambaleamos ao tentar mudar o passo ou correr. Ou ainda, trocamos letras e emitimos sons ininteligíveis até aprendermos a falar de forma a sermos compreendidos.


Somos provisórios nesta terra. E diante do caos social, econômico, político, ambiental, tendemos a abreviar nossa estadia por aqui. Tomamos a terra de assalto e, além de roubá-la em tudo de bom que ela tenha a nos oferecer, ainda comprometemos a chance de outros permanecerem nela por mais alguns anos com um mínimo de qualidade de vida. Gritamos inconformados em fóruns que nos permitam manifestar nossa indignação. Porém, a desolação continua seguindo seu curso. A ética não ocupa lugar de destaque nos noticiários em horário nobre. Muito ao contrário, atitude de destruição da moral desvia o caráter, desolação por conta da ganância e o desamor cada vez mais em alta. Caos espiritual. Temor a Deus, zero!


Igreja estagnada em matéria de crescer do lado de fora. Paredes alargadas, bancos sem conta, tudo em favor do crescimento pelo lado de dentro. Aos que perecem do lado de fora, um folhetinho e uma mensagem para “sair do poço e conquistar a vitória”!


Sal da terra. Fazer a diferença em meio ao caos. Imitadores de Jesus. Desemparedar a esperança e atender ao chamado do Pai. Obedecer ao “Indo...”. Igreja provisória tem que ser igreja em movimento, e destoar de mega templos e ostentação sem limites. Igreja primitiva e simples, aos não prósperos, fazendo jus a um Deus que se fez pobre e humilde e, não pregou vitória em espécie, mas justiça social e inclusão pela revolução do amor. Igreja provisória sem documento de propriedade e sem “vender” milagres, revelações e profecias, ofertando amor seguido de amparo e sustento ao órfão e a viúva, acolhida ao estrangeiro e dignidade ao desenganado, ao desesperançado.


Igreja provisória com estacas móveis, mobilizando o pretenso ‘povo de Deus’ a andar na pegada e na direção do Filho. Na busca incansável pela centésima ovelha. Na cura daqueles que almejam tão somente o perdão. Na oferta gratuita de salvação, e na conquista, sem indulgências modernas vendidas ‘as pencas’ através de boleto bancário ou depósito em conta corrente, de uma vida eterna no céu. Ser igreja na visão de Deus somente e suficientemente. De uma igreja caótica para uma igreja com mudança de ótica.


Posturas podem ser mudadas. Torneiras podem ser trocadas. Chinelos podem ser descartados. O provisório pode deixar de sê-lo quando não adiamos o nosso compromisso com o que sofre o gotejar da torneira ou com o pé desnudo esperando abrigo. O provisório inexiste quando desisto do ‘quase’ e admito no adesivo do carro que Eu Sou Fiel, não ao dogma ou doutrina, ao time de futebol ou a placa que segrega e escraviza, mas tal e qual Áquele que é pura fidelidade! Sem qualquer alarde!


Não ser “mais uma”, mas ser ‘a’ igreja sem vaidade, que realmente faça ‘a’ diferença. Provisoriamente com endereço fixo, ‘sem ter lugar para repousar a cabeça’ de dirigentes, mas tendo não a porta, mas o coração aberto para repousar a cabeça de muitos dos pequeninos que querem o aconchego e o colo do Pai. Ser uma igreja caminhando de mãos dadas com a dignidade, e com a verdadeira, transbordante e pertinente presença do amor absoluto de Deus. Ser permanente na busca da vontade d’Ele e não na minha tosca aquisição. Vaidade das vaidades.


Somos provisórios...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

“Estamos informados de tudo, mas não sabemos de nada”

Eduardo Galeano


No século XVI, alguns teólogos da igreja católica legitimavam a conquista da América em nome do direito da comunicação. Jus communicationis: os conquistadores falavam, os índios escutavam. A guerra era inevitável justamente quando os índios se faziam de surdos. Seu direito de comunicação consistia no direito de obedecer. No fim do século XX, aquela violação da América ainda se chama encontro de culturas, enquanto continua se chamando comunicação o monólogo do poder.

Ao redor da Terra gira um anel de satélites cheios de milhões e milhões de palavras e imagens, que da terra vêm e à terra voltam. Prodigiosas engenhocas do tamanho de uma unha recebem, processam e emitem, na velocidade da luz, mensagens que há meio século exigiriam trinta toneladas de maquinaria. Milagres da tecnociência nestes tecnotempos: os mais afortunados membros da sociedade midiática podem desfrutar suas férias atendendo o telefone celular, recebendo e-mail, respondendo ao bipe, lendo faxes, transferindo as chamadas do receptor automático, fazendo compras por computador e preenchendo o ócio com os videogames e a televisão portátil.

Vôo e vertigem da tecnologia da comunicação, que parece bruxaria: à meia-noite, um computador beija a testa de Bill Gates, que de manhã desperta transformado no homem mais rico do mundo. Já está no mercado o primeiro microfone incorporado ao computador, para que se converse com ele. No ciberespaço, Cidade celestial, celebra-se o matrimônio do computador com o telefone e a televisão, convidando-se a humanidade para o batismo de seus filhos assombrosos.

A cibercomunidade nascente encontra refúgio na realidade virtual, enquanto as cidades se transformam em imensos desertos cheios de gente, onde cada qual vela por seu santo e está metido em sua própria bolha. Há quarenta anos, segundo as pesquisas, seis de cada dez norteamericanos confiavam na maioria das pessoas. Hoje a confiança murchou: só quatro de cada dez confiam nos demais. Este modelo de desenvolvimento desenvolve a desvinculação. Quanto mais se sataniza a relação com as pessoas, que podem te pegar a Aids, te tirar o emprego ou te depenar a casa, mais se sacraliza a relação com as máquinas. A indústria da comunicação, a mais dinâmica da economia mundial, vende as abracadabras que dão acesso à Nova Era da história da humanidade. Mas este mundo comunicadíssimo está se parecendo demais com um reino de sozinhos e de mudos.

Os meios dominantes de comunicação estão em poucas mãos, que são cada vez menos mãos e em regra atuam a serviço de um sistema que reduz as relações humanas ao mútuo uso e ao mútuo medo. Nos últimos tempos, a galáxia Internet abriu imprevistas e valiosas oportunidades de expressão alternativa. Pela Internet estão irradiando suas mensagens numerosas vozes que não são ecos do poder. Mas o acesso a essa nova autopista da informação é ainda um privilégio dos países desenvolvidos, onde reside noventa e cinco por cento dos usuários. E já a publicidade comercial está tentando transformar a Internet em Businessnet: esse novo espaço para a liberdade de comunicação é também um novo espaço para a liberdade de comércio. No planeta virtual não se corre o risco de encontrar alfândegas, nem governos com delírios de independência. Em meados de 1997, quando o espaço comercial da rede já superava com sobras o espaço educativo, o presidente dos EUA recomendou que todos os países do mundo mantivessem livres de impostos a venda de bens e serviços através da Internet, e desde então este é um dos assuntos que mais preocupam os representantes norteamericanos nos organismos internacionais.

O controle do ciberespaço depende das linhas telefônicas e nada é mais casual quer a onda de privatizações dos últimos anos, no mundo inteiro, tenha arrancado os telefones das mãos públicas para entregá-los aos grandes conglomerados da comunicação. Os investimentos norteamericanos em telefonia estrangeira se multiplicam muito mais do que os demais investimentos, enquanto avança a galope a concentração de capitais: até meados de 1998, oito mega-empresas dominavam o negócio telefônico nos EUA, e numa só semana se reduziram a cinco.

A televisão aberta e por cabo, a indústria cinematográfica, a imprensa de tiragem massiva, as grandes editoras de livros e de discos e as emissoras de rádio de maior alcance também avançam, com botas de sete léguas, para o monopólio. Os mass media de difusão universal puseram nas nuvens o preço da liberdade de expressão: cada vez são mais numerosos os opinados, os que têm o direito de ouvir, e cada vez são menos numerosos os opinadores, os que têm o direito de se fazer ouvir. Nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial, ainda tinham ampla ressonância os meios independentes de informação e opinião e as aventuras criadoras que revelavam e alimentavam a diversidade cultural. Em1980, a absorção de muitas empresas médias e pequenas já deixara maior parte do mercado planetário na posse de cinqüenta empresas. Desde então a independência e a diversidade se tornaram mais raras do que cachorro verde.

Segundo o produtor Jerry Isenberg, o extermínio da criação independente na televisão norteamericana foi fulminante nos últimos vinte anos: as empresas independentes proporcionavam entre trinta e cinqüenta por cento do que se via na telinha e agora chegam a apenas dez por cento.

Também são reveladores os números da publicidade no mundo: atualmente, metade de todo o dinheiro que o planeta gasta em publicidade vai parar no bolso de apenas dez conglomerados, que açambarcaram produção e a distribuição de tudo o que se relaciona com imagem, palavra e música.

Nos últimos cinco anos, duplicaram seu mercado internacional as principais empresas norteamericanas de comunicação: General Electric, Disney/ABC, Time Warner/CNN, Viacom, Tele-Communications INC. (TCI) e a recém chegada Microsoft, a empresa de Bil Gates, que reina no mercado equivalente e televisual. Estes gigantes exercem um poder oligopólico, que em escala planetária é compartilhado pelo império Murdoch, pela empresa japonesa Sony, pela alemã Berteslmann e uma que outra mais. Juntas, teceram uma teia universal. Seus interesses se entrecruzam, atadas que estão por numerosos fios. Ainda que esses mastodontes da comunicação simulem competir e às vezes até se enfrentam e se insultem para satisfazer a platéia, na hora da verdade o espetáculo cessa e, tranquilamente, eles repartem o planeta.

Por obra e graça da boa sorte cibernética, Bill Gates amealhou uma rápida fortuna equivalente a todo o orçamento anual do estado argentino. Em meados de 1998, o governo dos EUA entrou com uma ação contra a Microsoft, acusada de impor seus produtos através de métodos monopolistas que esmagavam seus competidos. Tempos antes, o governo federal entrara com um processo similar contra a IBM: ao cabo de treze anos de marchas e contramarchas, o assunto deu em nada. Pouco podem as leis jurídicas contra as leis econômicas: a economia capitalista gera concentração de poder como o inverno gera o frio. Não é provável que as leis anti-trust, que outrora ameaçavam os reis do petróleo, possa pôr em perigo a trama planetária que está tornando possível o mais perigoso dos despotismos: o que atua sobre o coração e a consciência da humanidade inteira.

A diversidade tecnológica quer significar diversidade democrática. A tecnologia põe a imagem, a palavra e a música ao alcance de todos, como nunca antes ocorrera na história humana, mas essa maravilha pode se transformar num logro para incautos se o monopólio privado acabar impondo a ditadura da imagem única, da palavra única e da música única. Ressalvadas as exceções, que afortunadamente existem e não são poucas, essa pluralidade tende, em regra, a nos oferecer milhares de possibilidades de escolher entre o mesmo e o mesmo. Como diz o jornalista argentino Ezequiel Fernández-Moore, a propósito da informação: “Estamos informados de tudo, mas não sabemos de nada”.


http://www.cartamaior.com.br

Governos inconscientes e irresponsáveis

Leonardo Boff

Quem teve o privilégio de acompanhar a cúpula dos povos (192) na ONU nos dias 24-26 de junho para encontrar saídas includentes para a crise econômico-financeira, vivenciou dupla perplexidade. A primeira, o fato de se ter chegado a um surpreendente consenso acerca de medidas econômicas e financeiras a serem implementadas a curto e a médio prazo, em função do desenvolvimento/crescimento. A segunda, verificar que tudo se concentrou apenas no aspecto econômico-financeiro sem qualquer referência aos limites da biosfera e à devastação da natureza que o tipo de desenvolvimento vigente implica. Quer dizer, a economia virou um conjunto de teorias e fórmulas que expertos dominam e as aplicam nos países, esquecendo-se de que é parte da sociedade e da política, algo, portanto, ligado à vida das pessoas. Era como se os políticos e expertos, não respirassem, não comessem, não se vestissem e andassem nas nuvens e não no solo. Mas para eles, tais coisas importantes são meras externalidades que não contam.

Ao ouvi-los, pensava eu lá com meus botões: quão inconscientes e irresponsáveis são estes políticos, representantes de seus povos, que não se dão conta de que a verdadeira crise não é esta que discutem, mas a da insustentabilidade da biosfera e a incapacidade de a Mãe Terra de repor os recursos e serviços necessários para a humanidade e para a comunidade. Bem advertiu o ex-secretário da ONU Kofi Annan: esta insustentabilidade não apenas impede a produção e a reprodução senão que põe em risco a sobrevivência da espécie humana.

Todos são reféns da economia-zumbi do desenvolvimento, entendido como puro crescimento econômico (PIB). Ora, exatamente este paradigma do desenvolvimento mentirosamente sustentável do atual modo de acumulação mundial está levando a humanidade e a Terra à ruína. As pessoas são as últimas a contar. Primeiro vêm sempre os mercados, os bancos, o sistema financeiro. Com apenas 1% do que se aplicou para salvar os bancos da falência (alguns trilhões de dólares) poder-se-ia resolver toda a fome do planeta atesta a FAO. E atualmente, a mesma FAO advertiu, existem 40 países com reserva alimentar de apenas três meses. Sem uma articulada cooperação mundial grassará fome e morte de milhões de pessoas.

Discutir a crise econômica-financeira sem incluir as demais crises: o aquecimento global, a alimentária, a energética e a humanitária é mentir aos povos sobre a real situação da humanidade.

Temo que nossos filhos e netos, daqui a alguns anos, olhando para o nosso tempo, tenham motivos de nos amaldicionar e de nos devotar um soberano desprezo, porque não fizemos o que devíamos fazer. Sabíamos dos riscos e preferimos salvar as moedas e garantir os bônus quando poderíamos salvar o Titanic que estava afundando.

O Brasil neste sentido é uma lástima. Se há um pais no mundo que goza das melhores oportunidades ecológicas e geopolíticas para ajudar a formular um outro mundo necessário para toda a humanidade, este seria o Brasil. Ele é a potência das águas, possui a maior biodiversidade do planeta, as maiores florestas tropicais, a possibilidade de uma matriz energética limpa à base da água, do vento, do sol, das marés e da biomassa, mas não acordou ainda. Nos fóruns mundiais vive em permanente sesta política, inconsciente, “deitado eternamente em berço esplêndido”. Não despertou para a suas possibilidades e para a responsabilidade face à preservação da Terra e da vida.

Ao contrário, na contramão da história, estamos construindo usinas à base do carvão. Desmatamos a Amazônia em 1.084 quilômetros quadrados entre agosto de 2008 a maio de 2009. E somos o quinto maior poluidor do mundo. O fator ecológico não é estratégico no atual governo. Somos ignorantes, atrasados, faltos de senso de responsabilidade face ao nosso futuro comum.

Leonardo Boff é do corpo de assessores da Presidência da ONU.


C.R.A.U.

Escobar


Desde a antiguidade existe a corrupção e as pessoas que prestam serviço a este mal, estão ao longo da história imortalizadas como exemplos que não devem ser seguidos, então vamos pensar em algumas dessas figuras e veremos que parece que estas pessoas devem ter uma cartilha sobre como agir quando pegos.


Nos tempos de Jesus a corrupção já era presente e como exemplos estavam Anás e Caifas ou então os soldados que cobravam alem do estipulado e que João os desafia a cobrar aquilo que deveria ser cobrado, e levemos em conta a ação denunciadora de Jesus em relação a estes males e seus colaboradores. Motivo que deve nos estimular a sermos uma voz em relação ao combate destas ações, que na verdade mexem com o dinheiro publico e com as pessoas as quais são as prejudicadas e tidas como cegas.


Ao longo da história vemos a corrupção sempre com os mesmos argumentos e seus protagonistas não aparentam vergonha nenhuma, sorriem, acenam e continuam suas vidas como se nada tivesse acontecido, e o pior é que estão espalhados por ai, nos mais diversos âmbitos da sociedade, desde os meios sociais até os ditos sagrados.


Tenho uma impressão que ha uma cartilha para a corrupção, e que em Brasília deve haver uma distribuição desta cartilha feita pelos membros do C.R.A.U. (Companhia do Roubo Assumido e Unido). É incrível ver como as explicações são as mesmas e parece que os caras devem ter aulas de como se comportar em situações de emergência, temos alguns exemplos clássicos.


Temos como um dos pais desta associação o “poderoso chefão” ou Maluf, “Rouba, mas faz” ou “estupra, mas não mata” e sempre sorrindo, como alguém acima da lei se o C.R.A.U. tem universidade com certeza este camarada deve ser reitor.


O que dizer do Sarney, que mesmo com todas as evidências continua firme e forte, mais uma vez mostra que o poder que tem no Maranhão e no Brasil permite que faça o que bem entende. Com seu ar sereno de calma, faz pensar que um dos conselhos desta cartilha deve indicar para manter a calma nas horas que a casa cair. E o que dizer da defesa levantada pelo senador Mão Santa em relação a Sarney “Atire a primeira pedra quem aqui não tem pecados” isso deu uma impressão que ali estava cheio de ladrões.


A ala “sacerdotal” esta bem representada também e o pior é que estes põem ate Deus para justifica-los e mostrar que ele os entende, Estevam Hernandes que comparou suas provações as de Paulo de Tarso e assim mexeu com a fé das pessoas em prol da sua defesa de roubos comprovados, mas igual a ele temos outros que estão se enchendo de grana à custa da fé e daquilo que o povo ainda tem que é a chamada esperança. São estes que tocam no ponto que move as pessoas, e assim aproveitam-se usando textos e versículos para justificar a riqueza e os ROUBOS, estes devem compor a parte religiosa do C.R.A.U.


Como esquecer Collor (Eleito de novo), ou então Temmer , Macedo e tantos outros e não podemos deixar de lado ARRUDA que depois de todas as imagens usou todas as desculpas da página 171 da cartilha do C.R.A.U. entre elas “Guardei dinheiro na meia porque não tinha levado pasta” ou então a oração agradecendo a Deus o roubo recém realizado. E assim continua a luta para preserva-lo, afinal prestou bons serviços à companhia.


Mas vale a pena ressaltar os meios que se opõem a estas ações, organizações que lutam contra, estudantes que se levantam como no caso Arruda e parabeniza-los pela atitude, engrossar as fileiras e a voz contra estas ações e o silêncio nunca será resposta, mas o protesto é o meio para dizer “estamos de olho em vocês” . A voz profética é a voz da denúncia, a voz do sem voz, a voz da luta e da justiça.


O povo é a força para derrubar e fiscalizar estas ações, e assim, mostrar a estes bandidos que existe gente que enxerga, e mais uma vez parabenizar a todos que se levantam contra estas ações e chamar a uma rede de protestos sempre que estas coisas acontecerem, e que sejam pessoas comprometidas na luta e não os aproveitadores da miséria.


Fortalecer a luta em prol dos que sofrem independente de movimentos ou ideologias.